Pré-Escolar

Meninos, para a mesa!

Antes de tudo começar - os conceitos de saúde, equilíbrio, variedade, a importância do pequeno-almoço ou da atividade física - é importante que as crianças tenham um contacto físico com os alimentos. Quanto maior for a variedade de alimentos expostos à criança, melhor.

Com 3, 4, 5 anos já é suposto que as crianças comam sozinhas e comam de tudo um pouco. Daí que a abordagem deste tema no Pré-escolar tenha toda a pertinência.
Perante a grande diversidade de alimentos e pratos que existem, podem nascer muitas conversas: O que é que já provaram? O que é que gostam mais ou menos?
Aos poucos, desta conversa, nascerão, muito naturalmente, outras: Que outros alimentos pertencem a este grupo ou que grupo podemos fazer com todos estes alimentos (o que têm em comum)?
Também é possível levar a conversa mais longe e falar de memórias, de histórias, de festas. É todo um mundo que se abre...

Numa primeira fase é importante que as crianças saibam os NOMES de todos os alimentos. As fichas de alimentos do Kit  Nestlé Crianças Saudáveis podem facilitar esta IDENTIFICAÇÃO. Nomeando os alimentos é mais fácil falar sobre as suas CARACTERÍSTICAS: cheiros, sabores, propriedades nutricionais básicas, grupo a que pertencem, refeições onde são mais consumidos.

Todos estes dados permitirão a CLASSIFICAÇÃO dos alimentos: por cores, por preferências, por propriedades, por grupos a que pertencem na Roda dos Alimentos — Uma primeira etapa para chegarem, mais tarde, à noção de equilíbrio alimentar.
 
Alguns exemplos:

Morango, laranja, kiwi, uvas, maçãs
Grupo das frutas: campeões em vitamina C e fibras, importantes para não adoecermos!

Leite, queijo, iogurte...
Pertencem ao grupo do Leite e derivados. São ricos em cálcio que torna os ossos mais fortes.

Abóboras, alperces, meloa...
Grupo dos frutos e legumes de cor amarela ou alaranjada 
São alimentos ricos em vitamina A, importante para os olhos e a pele.
 
A que sabe? A que cheira?

Comer não é apenas alimentarmo-nos, ingerirmos nutrientes, assegurar necessidades. Comer pode e deve ser um dos grandes prazeres da vida. É importante que as crianças também o sintam quando se sentam à mesa, com a família ou com os amigos. Fale, por exemplo, às crianças do papel importante dos 5 sentidos na experiência de desfrutar os alimentos.

Será que já repararam que muitas vezes, antes de vermos a travessa, conseguimos adivinhar o que é o jantar? Tal deve-se ao Olfato que envia mensagens ao cérebro, onde estão guardadas as nossas memórias.

Já repararam que uma travessa bem decorada também influencia o nosso apetite? A Visão dá-nos informações essenciais sobre as formas, as cores, o aspeto, as texturas... E, muitas vezes, é esta primeira impressão que obtemos através dos olhos, que dita a vontade (ou não) de comer.

Já repararam que os alimentos também têm sons? Recordam-se do som de uma maçã sumarenta? E dos cereais, das bolachas do pão estaladiços? A Audição pode dizer-nos se um alimento está em bom estado ou se já perdeu qualidades.

Os lábios, a língua e a garganta (e, em certos casos, também as mãos) conhecem os alimentos através do Tato e são capazes de nos dizer se um alimento é macio, áspero, duro ou mole.

Por último, o Paladar. Diga às crianças que os sabores são como as cores: há uma paleta básica (os sabores doce, salgado, amargo, ácido), mas há depois centenas e centenas de tons dentro desta paleta que faz todo o sentido experimentar.

Incentive-os a ser curiosos!
Desperte as crianças para a necessidade de estarem atentas e concentradas enquanto comem. Deste modo desfrutarão ainda melhor todas as características dos alimentos. E atenção, estar com atenção e concentrado, não significa estar absolutamente calado e quieto... Basta estar mais desperto, mantendo as boas maneiras à mesa, claro...
Da Horta ao Prato

Nesta fase é essencial que as crianças percebam, de forma genérica, que os alimentos provêm da natureza e que não surgem de forma espontânea nos seus pratos. Outra ideia importante é que os alimentos sofrem várias transformações e percorrem, por vezes, um longo caminho até às nossas casas. Este percurso tem custos ambientais — basta pensar em fruta ou carne importada e nos custos de transporte e conservação associados – pelo que se devem preferir sempre os alimentos produzidos localmente e os da época (uma oportunidade para falar das estações do ano e dos frutos e legumes associados a cada uma).

Os alimentos podem ter duas origens:

Animal, caso, por exemplo, dos peixes, crustáceos, moluscos, vacas, porcos, galinhas, perus, ovos, leite e derivados...

Vegetal, caso dos cereais, frutos, leguminosas, legumes...

A água, que apesar de não conter energia é um alimento essencial, tem uma Origem Mineral.

Por vezes comemos alimentos tal como vêm da natureza. 
É o caso das frutas, dos legumes e dos peixes frescos.
Mas, a maioria das vezes, comemos alimentos que já foram transformados. 
É o caso dos iogurtes, dos cereais de pequeno-almoço, dos sumos, das massas, das salsichas, etc.

As crianças poderão observar também que existem alimentos com circuitos curtos (a fruta, por exemplo, que pode ser vendida diretamente do produtor ao consumidor) e outros com circuitos mais longos que implicam recolha de matéria-prima, transporte, transformação, etc. (os cereais de pequeno-almoço por ex.).

O Tapete de Jogo“ Da Horta ao Prato” é um excelente recurso para abordar este tema com as crianças. Nele são apresentados elementos relacionados com a origem e a produção de alimentos (uma horta, um pomar, um campo de cereais, elementos ligados à pecuária, o mar); e também algumas profissões que, de algum modo, participam no processo de produção dos alimentos (agricultores, hortelãos, fruticultores, produtores de carne ou de leite, pescadores, etc).

Estar parado ou não estar parado?

«Parece que tens “bichos-carpinteiros!”» dizem os adultos. 
E a verdade é que as crianças saudáveis têm, em geral, muito prazer em mexer-se. 
Trepar a uma árvore, escavar buracos na areia, nadar, fazer corridas de bicicleta... 
Quando imaginamos a infância todas estas atividades estão lá, ajudando os mais pequenos a fazer as suas descobertas... e a crescer.

Ao corpo é exigido isso mesmo: que os acompanhe e ajude nas suas explorações!
Mas então... porque é que observamos que muitas crianças estão cada vez mais sedentárias e, em muitos casos, mais obesas?

As causas do sedentarismo e da obesidade:

1. As nossas cidades têm poucos espaços para brincar ao ar livre. 
2. A evolução tecnológica fez com que os transportes e grande parte das tarefas domésticas não impliquem, hoje, grande trabalho físico. 
3. Os pais vivem preocupados com a segurança e as crianças passam muito tempo em casa, a ver televisão ou jogar computador.
4. A maioria das famílias não constitui um bom exemplo... e também prefere o sofá.
5. Nos países desenvolvidos, temos à disposição alimentos com densidades calóricas muito altas (uma pequeníssima quantidade de comida, fornece-nos uma enorme quantidade de energia).

Noções importantes nesta idade 

É importante que as crianças percebam alguns conceitos:

1. Os alimentos dão-nos energia.
2. Alguns alimentos contêm mais energia do que outros.
3. Aquilo que fazemos (estar vivo, dormir, brincar, crescer) faz-nos gastar energia.
4. Há atividades que nos fazem gastar mais energia do que outras.

Converse com os alunos...

Conseguem dar exemplos de atividades nos fazem gastar pouca energia? (Ver televisão, dormir). E atividades que nos fazem gastar alguma energia? (Passear, lavar a loiça). Finalmente, deem exemplos de atividades que nos fazem gastar muita, muita energia (pedalar, dançar, nadar).
 
Explique todas as boas razões para nos mexermos:

O exercício físico...

  • ajuda o coração e os pulmões a trabalhar melhor;
  • mantém os músculos e os ossos fortes;
  • melhora a coordenação e a atenção;
  • torna-nos mais bem-dipostos;
  • ajuda a regular o apetite;
  • ajuda a dormir melhor;
  • queima energia, ajudando a controlar o peso.